Quebra-cabeça

Entres as cinzas da estrada e as cinzas voando aqui nesta sala eu me pergunto por quê? O mundo me enquadra no canto da parede e eu me sinto culpado por estar feliz, ainda que desconectado de todas as notícias dos jornais. Apalpo minha pedra, macero minha erva e jogo sobre mim a água benta. Acendo minha vela e medito em uma profunda conexão de paz. Acaricio os cachorros e sorrio para as crianças. Vez ou outra, converso com um velho e durmo na minha cama que, se não cresceu, traz uma satisfação que nunca senti em minha vida. De tempos em tempos, meu compadre, eu me também me sinto culpado por não ser uma usina de generosidade, por não conseguir responder qual a minha religião, meu partido, meu parente preferido ou qual é a minha luta. Porque eu não quero lutar, não desse jeito. Sim, eu me sinto culpado, irmão, porque minha lança para baixo é menos um coração que bate, mas essa não é minha batalha e eu me pergunto por quê? No fundo do peito, não ressoa covardia, bomba honestidade e talvez esse seja meu erro mais humano e mais profundo. Eu ainda busco meu lugar no mundo e, mesmo sem saber onde estou indo, tenho a sensação de que estou no meu caminho. Aos poucos, livrando-me da bagagem que alguém me deu e eu mesmo aceitei, porque sem ela eu não saberia que não quero essa bagagem em minha vida.

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