Perfume da novidade

Eu estou farto dessa vida. Dessa provável e confortável vida. Desse jogo com pequenos desafios facilmente solúveis que chamamos vida. Desses pecados que eu pago sem mérito. E os que não pago, eu consigo parcelar sem sacrifício.

Sei que muitos de vocês almejam isso, sei que muitos de vocês só queriam que isso fosse sua vida. Mas eu, eu me cobro muito por isso.

Me cobro pelo jocosa e cheia de preguiça vida, esse conta gostas que me conforta com o nada de brisa. Pequenas gozadas esquecíveis que deixam tudo menos insuportável como num milimétrico tabuleiro onde a fórmula desespero, esperança e desespero se repete para me dar um pouco mais de esperança.

O odor taciturno procura uma napa que me encha de perfume da novidade. Mas não é essa busca que me corrói. O que corrói e saber que não me traio, que sou isso, uma previsão do futuro de qualquer um. O óbvio caminhando pela areia antes de chegar ao semáforo cheio de moleques sem importância e balas sem gosto. Em busca do quê, afinal? Da pretensiosa missão que não existe? A missão, para desespero de todos, é somente passar nessa retilínea vida, talvez.

Isso passa. Sempre passa, como eu sempre digo enquanto estou sendo vigiado. E essas câmeras, esses circuitos que vasculham meus circuitos, se um dia descobrirem isso, vão dizer que é doença. Porque não podem admitir que somos todos mais ou menos isso.

Honesto com minha vida, isso eu ainda não aprendi a ser.

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